Clichê de cabeceira

    Ela não era comum, disso todos sabiam, e é tão clichê escrever sobre meninas assim...
    Ele era um galanteador, ficava com várias, sem se prender a ninguém, e isso soa tão nojento...
    Ela gostava de metal, e isso é coisa de homem!
    Ele gostava de pop rock, e isso é coisa de mulher!
    Ela era de humanas, coisa de gente louca...
    Ele era de exatas, tão chato...
    Ela gostava de livros, filmes e games em um dia chuvoso, e a solidão nunca a incomodara.
    Ele preferia dias ensolarados repletos de pessoas vazias a sua volta.
    Ela era solidária e gentil, gostava de ser útil até mesmo para as pessoas desconhecidas. Sorrisos alheios a sustentavam.
    Ele... bem, alguma coisa esses dois tinham que ter em comum.
    Ela não tolerava injustiça e desigualdade!
    Ele odiava hipocrisia e falsidade.
    Ela decidira que viveria sua vida sozinha, longe de qualquer perca de tempo que pudesse tirá-la de seu foco.
    Ele decidira que se divertiria com várias, afinal, uma só não tinha a mesma graça.
    Eles eram perfeitos clichês.
    Imperfeitos que refletem a subjetividade de muitos por aí...
    O que ninguém imaginava é que um dia eles se encontrariam, e provariam da mais improvável das probabilidades... se apaixonariam perdidamente.
    Ela continuava a gostar de metal, e isso já não parecia mais tão coisa de homem...
    Ele ainda curtia pop rock, e até que o som não era assim tão afeminado...
    Ela era de humanas, e suas opiniões constituídas em base sólida eram fascinantes!
    Ele era de exatas, e isso o tornava tão inteligente!
    Ela continuava a gostar de livros, filmes e games em um dia chuvoso, mas a solidão já não era mais sua companheira favorita.
    Ele ainda gostava dos dias ensolarados, mas preferia apreciar a beleza dos olhos dela refletindo a luz do sol.
    Ela passou a sonhar por dois, e os seus planos agora, não eram só do seu mundinho. Eram do mundinho deles.
    Ele já não queria mais as "várias". O sorriso de uma só o fazia entender a melhor parte da vida.
    Eles brigavam, tinham crises e desentendimentos. Mas carregavam consigo a certeza de que o abraço quentinho dele ou dela, estaria sempre ali, ao findar de cada uma dessas situações.
    E hoje, todos dizem: Eles são perfeitos um para o outro... como aqueles casais de livros românticos de cabeceira.
 
 
 
 

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